Por que eu sempre pergunto o que você odeia na sua casa atual
Atualizado: 19 de ago.
categoria: processo
Toda vez que começo um projeto novo, faço a mesma pergunta que alguns clientes acham estranho no início:
"Me conta o que você mais odeia na sua casa atual."
Não o que você quer. Não o seu estilo. Não as referências do Pinterest. O que você odeia.

Por que começar pelo negativo?
Porque o que incomoda revela muito mais do que o que agrada.
Quando alguém diz "odeio que não tem onde guardar os sapatos", estou ouvindo que organização e circulação são prioridade. Quando dizem "a cozinha me sufoca", estou ouvindo que integração de ambientes e ventilação precisam estar no projeto.
Quando dizem "nunca consigo sentar na varanda porque não tem privacidade", estou ouvindo que pertencimento e intimidade são valores centrais para essa pessoa.
O que te irrita no espaço onde você vive é, muitas vezes, o mapa mais honesto de quem você é e como você funciona.
O que o Pinterest não te conta
As referências visuais são um ponto de partida — não um destino.
Quando alguém me mostra uma sala minimalista, toda branca e sem objetos, e ao mesmo tempo me conta que tem três filhos, dois cachorros e coleciona livros desde a faculdade, meu trabalho é encontrar o caminho entre a estética que ela deseja e a vida que ela de fato vive.
Não adianta projetar a casa dos sonhos de outra pessoa que não seja de fato você.
A pergunta que muda tudo
Depois de ouvir o que você odeia, faço a segunda pergunta favorita:
"O que já funciona aqui — e que você não abriria mão em hipótese nenhuma?"
Essa é a âncora. É o que preservamos, reaproveitamos, ou pelo menos respeitamos enquanto transformamos o resto.
Um bom projeto não começa do zero. Começa de você.



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